Entraste no meu peito como um tumor. Um tumor, maligno?, benigno?, ninguém o soube.
Mas tive que fazer a operação, a extracção, a tua extracção, extrair-te de mim, meu tumor falante.
Deixaste uma cicatriz feia. Grande. Levaste contigo o meu peito, mas não o meu coração, nunca o meu coração. Arrancaste-me o peito, coseste-me uma cicatriz, mas não me lembro de ti ao ver a cicatriz, a cicatriz não me marca como tua.
(e a mim, que tanto me custa expelir, e esta extracção, tão fácil...)
Entraste no meu eito como um umor. Maligno, benigno, maligno, benigno. Deixaste a tal cicatriz, feia, horrível, depois da extracção. Levaste o peito, não o coração. Etc., etc..
(e eu, eu tenho sentido de humor)
Entraste no meu peito como amor. Maligno, maligno gno gno. Deixaste uma cicatriz.
Enorme, uma cicatriz.