quinta-feira, 1 de novembro de 2007

1 - A Cicatriz

Entraste no meu peito como um tumor. Um tumor, maligno?, benigno?, ninguém o soube.

Mas tive que fazer a operação, a extracção, a tua extracção, extrair-te de mim, meu tumor falante.

Deixaste uma cicatriz feia. Grande. Levaste contigo o meu peito, mas não o meu coração, nunca o meu coração. Arrancaste-me o peito, coseste-me uma cicatriz, mas não me lembro de ti ao ver a cicatriz, a cicatriz não me marca como tua.

(e a mim, que tanto me custa expelir, e esta extracção, tão fácil...)

Entraste no meu eito como um umor. Maligno, benigno, maligno, benigno. Deixaste a tal cicatriz, feia, horrível, depois da extracção. Levaste o peito, não o coração. Etc., etc..

(e eu, eu tenho sentido de humor)

Entraste no meu peito como amor. Maligno, maligno gno gno. Deixaste uma cicatriz.

Enorme, uma cicatriz.