sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

22 - Desafio Escreva! - Música: Proclamation - Gentle Giant - The Power And The Glory

No imaginário da tua mente passam cores e sons. As guitarras ajudam, ajudam a imaginação, mas é a bateria que a comanda. Esse ritmo incomum, retirado de algum confim de mundo.
Gostavas de dormir, de pousar, repousar a cabeça cansada nessa voz esticada ao extremo, nessa voz fina, macia, mas forte, forte.

(e tudo pode mudar, tudo deve mudar, e tudo deve ficar igual, é tempo de rearranjar)

Os sons atropelam-se numa corrida até ao êxtase, e és tu.
És tu, a chegada.

21 - Desafio Escreva! - Música: Rifluisce Il Fiume - Angelo Branduardi - Gulliver la Luna E Altri Disegni

Essa conversa universal, que não contém palavras, que é feita apenas de sons sussurrados: do monte à neve, que gela as flores e folhas e estende o seu manto branco carinhosamente à volta do seu enamorado. Essa conversa universal, da neve que parte, que vai com a chuva, substituída por rebentos novos de ervas frescas e perfumes de flores coloridas; essa conversa de amantes que se separam com a certeza de que se verão novamente, no momento certo. Não está escrito nos livros, mas os laços da vida reuni-los-ão.

O filho diz à mãe, em infinitos gestos de ternura e amor, que cresce, mas ainda é filho, e ela ainda é mãe. E se se separam, um dia voltarão a ver-se, e as lágrimas serão só de alegria. Não está escrito nos livros, mas os laços da vida reuni-los-ão.

Nada se perderá, tudo ao centro voltará.

A folha dá o seu até já outonal ao ramo amoroso. Na Primavera voltará, pelo menos em espírito, reencarnada noutra adolescente folha verde, espelho seu. Não está escrito nos livros, mas os laços da vida reuni-los-ão.

E a conversa silenciosa do velho com a morte, que o espera? Essa a mais misteriosa de todas, ritmo e som da dança infinita das coisas, da dança que não pára e nunca acaba. Não está escrito nos livros, mas os laços da vida reuni-los-ão.

Nada se perderá, tudo ao centro voltará.

20 - Desafio Escreva! - Música: Wond'ring Again - Jethro Tull - Living In The Past

Sinos no teu casamento, mas no futuro. O futuro não é incerto; no futuro, tudo converge para essa paz primordial, esse suspender de tudo, essa brancura, essa maçã (envenenada) que vem desfazer os pecados de todos os homens, para todo o sempre. Tudo acaba e começa, e já não há árvores.

Condescende, condescende, porque o futuro vem aí.

Vês os prédios destruídos e o pequeno Manfred diz-te que tudo é morte e tu estás morto e ele não tem membros para te abanar.
Não há mais bebés, mas essa calma, esse contentamento, não há bebés, não envelheces.
Escondes-te num buraco. Estás cansado. A neve pesa nos teus ombros frágeis. Matas os insectos que te incomodam, as flores que se atravessam no teu caminho.
Mas sentes agora o peso na consciência, é o futuro, e choras baixinho, o que levaste, o que não deste.

Pensas,
o teu filho,
saberá ele ser melhor?

19 - Desafio Escreva! - Música: For Late - Jethro Tull - Living In The Past

Não há tempo para rascunhos. Há uma festa onde ir. E estão todos lá. Todos lá. Todos lá.

Viras-te, as tuas costas são asas gigantes; mas não vires as costas. Ao passeio. Ao homem na rua. À mulher da vida.

É preciso algum ânimo, esperança, para subir as escadas da tua vida. Porque é tua. Essa vida. A vida. A vida.

Vem como quiseres, vem como acordares, não há tempo para rascunhos.