Essa conversa universal, que não contém palavras, que é feita apenas de sons sussurrados: do monte à neve, que gela as flores e folhas e estende o seu manto branco carinhosamente à volta do seu enamorado. Essa conversa universal, da neve que parte, que vai com a chuva, substituída por rebentos novos de ervas frescas e perfumes de flores coloridas; essa conversa de amantes que se separam com a certeza de que se verão novamente, no momento certo. Não está escrito nos livros, mas os laços da vida reuni-los-ão.
O filho diz à mãe, em infinitos gestos de ternura e amor, que cresce, mas ainda é filho, e ela ainda é mãe. E se se separam, um dia voltarão a ver-se, e as lágrimas serão só de alegria. Não está escrito nos livros, mas os laços da vida reuni-los-ão.
Nada se perderá, tudo ao centro voltará.
A folha dá o seu até já outonal ao ramo amoroso. Na Primavera voltará, pelo menos em espírito, reencarnada noutra adolescente folha verde, espelho seu. Não está escrito nos livros, mas os laços da vida reuni-los-ão.
E a conversa silenciosa do velho com a morte, que o espera? Essa a mais misteriosa de todas, ritmo e som da dança infinita das coisas, da dança que não pára e nunca acaba. Não está escrito nos livros, mas os laços da vida reuni-los-ão.
Nada se perderá, tudo ao centro voltará.