húmida, a tua mão, do orvalho matinal. Esquece a noite como quem não a tivesse vivido.
sombra, remota como uma estrela (distante). Mas podias ser mais. Mais minha.
nos bancos do jardim em frente, como duas metades, jovens entrelaçam braços e
sons como sereias perdidas. Mas nunca tiveste um lugar nos teus braços para mim.
do que resta, chora então os bocados velhos, o bolor nas lágrimas, na cara suja.
tanque estanque. mas há rachas no tanque, e era mentira o canto da ave
nocturna. Canta agora tu, a plenos pulmões, não tenhas pudor,
sem pudor é melhor, a canção. E será um dia a
lua tua? Talvez. Mas hoje não.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
17 - O meu corpo esquerdo
A vida, sim, feita de coincidências.
Não sei bem o que se passa dentro da minha cabeça. É tarde, e vejo tudo desfocado, não consigo desvendar as letras. Dói-me a cabeça como se fosse metal agudo e dói-me o peito como um buraco. Dói-me o fígado como se me espetassem qualquer coisa pontiaguda nele e dói-me o doer-me o corpo cansado e já não saber... Afinal, há limites.
As palavras que saem sem pensá-las, apodera-se de mim uma estupidez pegajosa que cola, que fica, que não vai. Entretanto, abrem-se-me feridas no estômago, nos pulmões os brônquios rasgados, os olhos ulcerosos, e mais...
Como se me dissesse, quero descansar, quero descansar e dormir e morrer. Deixa-me ir, deixa-me ir, deixa-me ir. Como se dissesse adeus e fosse o último dia.
P camcrp +aç+
aveç da minha alma alastra-se ao corpo
O cancro palpável.
Ou terá começado no corpo e alastrado, depois, à alma?
A minha alma, hoje, é negra, excepto num canto, que não sei bem qual é.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
16 - I'm going coma slightly coma coma coma
Na minha casa vazia cabe apenas uma cor de cada vez.
VERDE
Tento imaginar cenários que se tornem reais, que justfiquem o que sinto, digo, penso quando parece tão irracional. Se não chegas aos talones, então não chegas. Que escalada escabrosa poderá fazer sentido?
Não escales montanhas que não são tuas.
Esta montanha não é tua. Mas... tem que ser dela?
O pior é que, por mais montanhas que haja na Terra, nunca hás-de encontrar a tua. Porque ela simplesmente não existe! Ahahahahahah....!
Esquece essa luta infrutífera, o corpo acomoda-se bem (não o meu, não o meu).
domingo, 2 de dezembro de 2007
15 - Asfixia
Preciso de um espaço mais amplo, mais branco, mais brando, mais largo, mais livre.
Preciso de mais alegria, mais instrumentos de sopro a dizerem em notas graves os meus passos, de sapatilhas cor-de-rosa, de cabelos dourados compridos esvoaçantes.
Preciso de mais sorrisos, menos palavras reprovadoras e, embora possa não o merecer, mais mãos mãos mãos.
Preciso de uma casa nova, limpa, grande. Preciso de uma casa vazia, luminosa, branca. Com divisões espaçosas.
Preciso de umas costas novas, forças novas.
Menos barulho, menos, menos, muito menos.
Respirar e morrer um bocadinho.
Preciso de uma nova voz, de um novo nariz, de novos olhos, de novo cérebro.
Preciso de uma nova vida.
Preciso de mais alegria, mais instrumentos de sopro a dizerem em notas graves os meus passos, de sapatilhas cor-de-rosa, de cabelos dourados compridos esvoaçantes.
Preciso de mais sorrisos, menos palavras reprovadoras e, embora possa não o merecer, mais mãos mãos mãos.
Preciso de uma casa nova, limpa, grande. Preciso de uma casa vazia, luminosa, branca. Com divisões espaçosas.
Preciso de umas costas novas, forças novas.
Menos barulho, menos, menos, muito menos.
Respirar e morrer um bocadinho.
Preciso de uma nova voz, de um novo nariz, de novos olhos, de novo cérebro.
Preciso de uma nova vida.
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