Não sei bem o que se passa dentro da minha cabeça. É tarde, e vejo tudo desfocado, não consigo desvendar as letras. Dói-me a cabeça como se fosse metal agudo e dói-me o peito como um buraco. Dói-me o fígado como se me espetassem qualquer coisa pontiaguda nele e dói-me o doer-me o corpo cansado e já não saber... Afinal, há limites.
As palavras que saem sem pensá-las, apodera-se de mim uma estupidez pegajosa que cola, que fica, que não vai. Entretanto, abrem-se-me feridas no estômago, nos pulmões os brônquios rasgados, os olhos ulcerosos, e mais...
Como se me dissesse, quero descansar, quero descansar e dormir e morrer. Deixa-me ir, deixa-me ir, deixa-me ir. Como se dissesse adeus e fosse o último dia.
P camcrp +aç+
aveç da minha alma alastra-se ao corpo
O cancro palpável.
Ou terá começado no corpo e alastrado, depois, à alma?
A minha alma, hoje, é negra, excepto num canto, que não sei bem qual é.