sábado, 1 de novembro de 2014

45 - Sensações

Hoje como talvez dia de partidas escolhi escrever sobre chegadas. Sensações diferentes, tão antigas, que já pensava mortas e afinal ressuscitadas, agora. Talvez faltasse só: uma visita, um pensamento, uma flor. Talvez faltasse só: inspiração, expiração, calma. Talvez faltasse só: uma pessoa, eu, tu. Sensações, espécie de química que devia arder, mas não. Como um sopro de vida, um sopro último, tão completo, como se aquele momento, aqueles dois corpos, ressuscitados. Fossem um abraço à volta do mundo. Sem ninguém, com todos, partidas, chegadas, pessoas à espera na plataforma. Sensação num momento meia-hora, uma hora, duas horas. Como se do nada, do antigo, velho, conhecido, coisas novas pudessem surgir (não podem, nunca podem). Talvez apenas uma reinvenção, e tudo é velho, tudo é antigo, mas os olhos imaginam outras coisas, campos, árvores, água a correr. Sensações de quando eram outras coisas, outros corpos, outras almas. Sensações de quando foram terra e água e fogo e ar. Sensações de quando apenas poeira cósmica. Sensações de quando. Sensações.