Hoje como talvez dia de partidas escolhi escrever sobre
chegadas. Sensações diferentes, tão antigas, que já pensava mortas e afinal
ressuscitadas, agora. Talvez faltasse só: uma visita, um pensamento, uma flor. Talvez
faltasse só: inspiração, expiração, calma. Talvez faltasse só: uma pessoa, eu,
tu. Sensações, espécie de química que devia arder, mas não. Como um sopro de
vida, um sopro último, tão completo, como se aquele momento, aqueles dois
corpos, ressuscitados. Fossem um abraço à volta do mundo. Sem ninguém, com
todos, partidas, chegadas, pessoas à espera na plataforma. Sensação num momento
meia-hora, uma hora, duas horas. Como se do nada, do antigo, velho, conhecido,
coisas novas pudessem surgir (não podem, nunca podem). Talvez apenas uma
reinvenção, e tudo é velho, tudo é antigo, mas os olhos imaginam outras coisas,
campos, árvores, água a correr. Sensações de quando eram outras coisas, outros
corpos, outras almas. Sensações de quando foram terra e água e fogo e ar. Sensações
de quando apenas poeira cósmica. Sensações de quando. Sensações.
sábado, 1 de novembro de 2014
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