quinta-feira, 29 de novembro de 2007

14 -

É perigoso sentir, mas as pontas dos teus dedos - que hão-de fazer?

O teu coração é um perfume qualquer, e não podes esquecer, esse barco à deriva, ser farol

Qualquer coisa no meu cérebro como se fosse obrigatório esperar para pensar


estilhaços de bombas cravados nessa massa cinzenta, mas não dói nervos não dói


como se fosses uma boneca e te pudessem mexer os braços pernas


nadanadanadanada nada


escrevi essa palavra e tu disseste-ma (ao ouvido ou não)

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

13 - Gamine oubliée

Estou fora de mim, como se fosse preciso sair para entrar. Compreender essas minudências de mim de eu natureza consistência e tudo. Que me interessam a mim coisas como ser de corpo e alma. Eu quero ter ter ter ter, não quero ficar atrás nesse ter de artes e habilidades,

não quero ser a última criança.

12 - A duck!

Eu sou uma bruxa, as minhas unhas afiadas rasgam qualquer bocado de pele com veias. Desdentada e desgrenhada e só.

Feia, como um pedaço de carne podre.


Ainda assim, um exército de homens morreu de amores por mim e não houve mulher que não me invejasse.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

11 - Deserto

Há palavras nos cantos da minha casa. Elas forram o corrimão de sons antigos e familiares, elas sobem comigo as escadas. Deitam-se na minha cama, como se fossem minhas irmãs, e eu aqueço-lhes os membros frios.

Mas permanecem fechadas sobre si mesmas.

Não se entregam, não se dão.

Há palavras na minha casa, mas, hoje, não sei onde estão.

domingo, 18 de novembro de 2007

10 - Miguel d'Ors - Contraste

Ellos que viven bajo los focos clamorosos
del éxito y poseen
suaves descapotables y piscinas
de plácido turquesa con rosales
y perros importantes
y ríen entre rubias satinadas
bellas como el champán,
pero no son felices,

y yo que no teniendo nada más que estas calles
gregarias y un horario
oscuro y mis domingos baratos junto al río
con una esposa y niños que me quieren
tampoco soy feliz.

Miguel d'Ors, Curso superior de ignorancia

Suspende, no último vibrar da
nota disjuntiva
(afinal tão copulativa)
...
não sei o quê, mas suspende
talvez o ar nos pulmões
do leitor
Ainda que não haja:
espaço para tal;
pontuação para tal;
distracção para tal.

Mas a mente separa
Espontaneamente
O que pensou que era
Do que realmente é
E fica aí, suspenso
no fino ar público, comum
a hipótese.

9 - Miguel d'Ors -

A inspiração nunca como
recompensa
Senão do bem que possas fazer
A ti mesmo
Qaundo não sabes


Mas o gesto alheio não tem
recompensa
Salvo o próprio gesto

8 - Miguel d'Ors - CP

Há pessoas estranhas
nas ruas
E as ruas são escuras e doem
Como feridas nas mãos
Tu querias ser esquerdina
Mas não
E não importa afinal
porque uma mão
(a tua)
não vale nada