A vida, um sopro breve, e os teus planos, puff, no ar.
Mas há quem espere, e confie, e siga sempre em frente.
Eu pequenina, encolhida.
Eu envergonhada, peço licença.
Por favor, posso viver?
Se me permite, senhor, posso ser?
À minha volta os gigantes passeiam-se, pavoneando-se.
E eu, se faz favor, mas é um fio de voz e não me ouvem.
E como tudo concentrado em mim, as doenças e as mortes, não há corpo que resista.
A nuvem negra que veio e se instalou, adensa-se, opulenta, e ri-se.
E eu, minúscula, eu, um grão, como pode um grão agigantar-se contra a nuvem poderosa?
E no entanto, outros caminham, e as nuvens negras oprimem-nos mais. Mas ainda assim caminham e vivem. E morrem só no fim.