domingo, 12 de dezembro de 2010

41 - Ciaccona

Ssss de dança, queria ser(-te) mas por completo, sem bocados escondidos debaixo de tapetes, colchões, atrás de cortinados. Talvez noutra altura, noutro tempo, noutro espaço, outro eu. Por agora, pequenas cedências, pequenas migalhas, apenas hologramas em camadas que vou dispensando. Há tanto tempo que já não sinto, que quase já não reconheço. Agora, de repente, tantas sensações que tinha esquecido. Como se voltasse a ser criança, adolescente. E nem este sentimento de culpa abafa, como se os sentidos estivessem há tanto tempo adormecidos e agora acordassem e estivessem ofuscados, e tudo extravasasse, tudo fosse maior e melhor. Vontade de novo de adormecer e sonhar com castelos e princesas e histórias de encantar. Como se eu contivesse algum valor oculto que nunca ninguém ousou dizer. E, tão novo, tão disposto a agradar, encontras, e mostras, e reafirmas. De propósito e com teclas e com cordas e com sons tão macios, tão envolventes, para me sentir bem.