domingo, 4 de maio de 2008

26 - Todos os outros

Um desânimo. Falta de esperança na vida, nas coisas da vida, na vida das coisas. Não é uma serpentina, não é uma concertina, a tua vida não é uma música qualquer. Pede um bocado mais, um bocado mais de esforço. Fé. Essas coisas. Andas, encolhes os ombros por um caminho qualquer. Não te interessa. E se acabasse agora, não te interessa.
É um desânimo como um enjoo (já sem acento circunflexo). Qual o remédio? Já estás farta de doces, o mel é doce, já estás farta. Aborrecida.
E se vier um cavalo branco de asas compridas? Não, não, nada te pode salvar desse desânimo, nada que te seja externa, estranha.
Então, esses aliens que não vejo todos os dias...?
Se pudesses saber, mas a compreensão do universo é tão esmagadora que não dura mais que um segundo - ou o teu cérebro explodiria - e quantas mais vezes te vais enganar na posição do cabide, uma estúpida ilusão de óptica, e aí tens.
E o desânimo é um cansaço e o cansaço é um tijolo do tamanho do mundo e tu debaixo dele é normal que não te consigas levantar, é normal essa preguiça, a culpa é do tijolo.